• O que você levaria para o museu?

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Considerando que a História e a memória, por meio de inter-relação dinâmica, são suporte de identidades individuais e coletivas, olhamos para trás em busca de nós mesmo, das nossas raízes. A partir do estímulo “O que você guardaria em um museu?”, esse processo objetivou desvelar traços da identidade, individuais e coletivas, de sujeitas/os e coletividades que atuam em movimentos sociais e culturais nas periferias da Zona Leste de São Paulo. Identidades que não estão inscritas em palavras e teorias, mas que se inscrevem no corpo de cada um… e que se constitui na resistência, na reivindicação do direito direito historicamente negado.

“Guardaria no museu o acervo permanente da Coragem,  são obras de 50 (cinquenta)artistas que utilizaram como suporte as madeiras que encontramos no processo da ocupação. Esse acervo representa a nossa resistência.”

Michele Cavalieri

“Foi em 08 de agosto 2014, no dia do meu aniversário, que realizamos a ocupação do espaço abandonado da antiga subprefeitura do Bairro de Ermelino Matarazzo, para nós aquele momento foi histórico, pois era o resultado de uma luta por um espaço cultural, a ocupação do espaço durou pouco, mas experimentar aquela experiência de conquista, nos fez sonhar alto. Talvez por isso hoje a Ocupação de Ermelino se tornou o que é.”

Uilian Chapéu
Uilian Chapéu

“Eu, Ireldo Alves, fui morador do lajeado e sempre tive a curiosidade de conhecer a Pedreira, por saber de várias histórias, que os mais antigos moradores contavam. O CPDOC Guaianás começa suas atividades em 2014, entre as várias ações e atividades no ano de 2019, em um período de formação, vai conhecer a Pedreira Lageado, em sua parte desativada o que me deixou muito contente por realizar essa visita.”

Ireldo Alves da Silva
Foto: Allan Cunha

“Na imagem, está meu irmão, minha irmã, um amigo e eu. Estamos no quintal da casa onde morei. Acredito que seja umas das melhores fases da minha infância. Meus pais sempre foram incentivadores das nossas brincadeiras, nos ajudavam a organizá-las. Como o quintal era grande, sempre estava cheio de gente (amigos/as, primos/as…). Ganhávamos brinquedos para brincar em coletivo, a exemplo do Pebolim, que está na imagem. Durante um bom tempo, essa casa foi o local de realização de diversas atividades”.   

Fábio Monteiro de Lima
Fábio Monteiro de Lima

Levaria para o museu…

A força de Luzinete Alexandre Alves, minha mãe

Ela, paraibana, mantém ainda os pés nessa periferia de São Paulo,

Construindo com seu trabalho o sonho do retorno a sua terra natal

Levo as mãos dadas de meus amigos-as

Guaianases é meu local de afeto,

aqui dividi gargalhadas na Casa do Norte do Seu Manoel

pulei carnaval no bloco de rua do Serebesqué

uni lágrimas nas despedida de um irmão

também as recitações de versos dos saraus periféricos

letras de rap, poesia tirada da gaveta do esquecimento

o coletivo feminista Juntas na Luta, resiste em Guaianases,

nosso território de trampo, de encontro e batalhas contra o machismo

Levaria as canções de tantas rodas de violão

aquecidas com a chama da fogueira e da revolução,

tantas pessoas envolvidas como eu, na busca de um outro mundo possível

caldinho de feijão, cópias de fanzines, calor humano

E o riso e luta de Richard David Manoel Junior

amigo, militante e um ancestral que morou em Guaianases

e tornou com seus feitos dias melhores para todos ao seu redor

Sheyla Maria Alves
Sheyla Maria Alves

Certamente o meu DJEMBÉ!

Ele foi adquirido por mim em 2013 para fazer parte dos tambores do Bloco Ilú Obá de Min quando fui aceita como uma de suas ritmistas.

Só por atravessar a cidade de trem todos os finais de semana de ensaios o Djembé já é um representante do extremo Leste chamando a atenção nas ruas, na estação e assim fui conhecendo muitos artistas onde moro.

O djembé é o objeto que conta muito da História dos últimos oito anos do ITAIM PAULISTA, sem dúvida, principalmente a História dos COLETIVOS culturais.

Este instrumento passou por várias edições do Batucafro no antigo Centro Cultural do Itaim Paulista; viu nascer a praça entre as ruas Vicente Reis e Manoel Alvares Pimentel no Jardim Camargo Velho, que foi idealizada com a força, o compromisso e a criatividade das mulheres do Sarau das Pretas Peri; caminhou com o Coletivo Bicho Solto nas intervenções dos Homens de Saia, hoje Bichxs de Saia, pelas Revoluções EnSAIAdas em todo o bairro e fora dele, participou de aulas e apresentações na escola EMEF Isabel Aparecida Cristovão da Luz em três anos do Sarau da Isabel; esteve abrindo cortejo com o Bloco Peixe Seco pelo Jardim Pantanal com o apoio da povaria do Kilombo Kebrada e foi grande companheiro meu em várias idas e vindas de poesia no Sarau O Que Dizem Os Umbigos?!!, aliás, a foto abaixo é de uma colaboração dos Umbigos na Biblioteca Vicente Paulo Guimarães, no Curuçá, para o Projeto Veia e Ventania, foi um convite especial de Daniel Marques (in memorian), que em quase todas as andanças deste tambor também estava e foi testemunha dos cortejos. 

Erika Brasil
Queila Rodrigues, 2014

“Vamos escrever sobre terra, solo e lugar. O lugar que a escola ocupa. Mas sem excluir o que é  chamado deslocamentos. Descolamentos de pessoas, seja para um lugar, uma estrada,  possibilidades de entradas e saídas ou complementações entre culturas onde a convergência, em forte presença converge para a composição de ocupações dentro e fora da escola.  Lugar como acolhimento de origens e tradições daqueles que ocupam o espaço escolar. Precisamos de algum modo, nos voltar para os saberes dentro deste território. As imagens que trazemos para a exposição descrevem lugar, paredes e localização. Mas é possível  admirar, de muitos modos, o que contem as imagens. Não invisível na fotografia do Marcio Reis, historiador  da Cidade Tiradentes, as pessoas que compõe esse território  também foram fotografadas. Culturalmente trazer a fotografia como recorte, em seu discurso, intrinsecamente em sua revelação há composição de pessoas. Temos interesse em colocar as imagem no museu com sentidos de interpretação, mesmo que seja maior a imaginação para a interpretação das mesmas. Ou seja, dentro do território EMEF Vladimir Herzog, temos pessoas, ao entorno temos pessoas. Na divisa do território também temos pessoas e todos são guardiões de saberes, culturais e desenvolvimentos de inteligências que não se excluem pelo distanciamento do centro da nossa São Paulo, mas que se fortalece por saberes do solo. E o saber do solo é o saber das mulheres. As mães do lugar, as famílias do lugar e as professoras do lugar”. 

Keilla Barreto Girotto

“Esse foi o início do Slam da Guilhermina, em Fevereiro de  2012.Uma roda ainda tímida, mas já cheia de energia.”

 Emerson Alcalde
Emerson Alcalde

“A Saga do Menino Diamante uma Ópera Periférica, espetáculo do Coletivo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes. Nos anos de 2008 a 2010 essa peça acontecia pertinho da minha casa no CDC Vento Leste e fui assistir todos os fins de semana de cada temporada”.

Cristina Adelina de Assunção

“Aniversário da Sociedade Amigos do Jardim Samara,  presente na foto: Aluisio Lira, presidente da sociedade; Santilha, esposa de Lira; Florisvado e esposa; Zuquinha e Cláudio.”

Flores Gomes José de Assunção
Flores Gomes José de Assunção

“Eu guardaria no Museu o nascimento da Comunidade do  Jongo dos Guaianás que trás para o nosso território o resgate da cultura dos nossos antepassados escravizados, que nos permite manter vivos cada preto e preta que lutou para que nós chegássemos até aqui sem as correntes  e assim nos deixaram seguir rompendo com a barreiras que ainda nos açoitam  até os dias de hoje, que nos proporcionaram cantar o ponto referenciando nossos ancestrais bem como a luta cotidiana e a celebração das nossas vidas, guardaria  a alimentação farta que todos que estão participando de 01 a 300 são bem servidos, o fazer junto da preparação do nosso terreiro para receber a todos e todas para roda de jongo até o amanhecer  e nesta memória afetiva também guardaria as crianças jongueiras que são o nosso coração pulsando fora do peito e a luta, garra, determinação e automia das mulheres Jongueiras e o aprender  cotidiano dos homens que se permitem  todos os dias  romper com a cultura machista e a sociedade patriarcal e por fim a nossa fogueira que ilumina o caminho para que nossos ancestrais possam nos visitar para abençoar e fazer festa junto conosco.”

        Patrícia Kelly Ferreira
Patrícia Kelly Ferreira


“Guardaríamos a fotos de antes e depois da Casa, onde temos uma empresa abandonada e a ocupação e restauração feita por mão de mulheres e fotos de alguns encontros, como o mais emblemático para o espaço, a Roda terapêutica das Pretas. O Espaço surge com o objetivo de promover o acesso de mulheres, fortalecer a cultura local, valorizar o trabalho das mulheres artistas e militantes da cultura, e suas inúmeras frentes de trabalho e quebrar paradigmas de domínio de conhecimento geralmente ligados ao feminino através das múltiplas atividades que são frentes de trabalhos das organizadoras. Que dá espaço às diversas Raízes de mulheres potentes para falar, desenvolver ideias e criar.”

Juliana da Silva Costa

Antes

Depois


“Um dos motivos da Rede M.A.Na.S surgir são os encontros de graffiti feito por mulheres, por ser uma das formas mais emblemáticas de resistência e união, dentro de uma frente muito machista e que reproduz a invisibilidade feminina constantemente. O graffiti é uma frente muito importante tanto na vida hip hop, mas também na revolução feminista, por si só.”

Juliana da Silva Costa

  • Criação: Ireldo Alves, Nísia Oliveira e Ana Vieira
  • CPDoc Guaianás; Produção: Instituto Pombas Urbanas;
  • Este trabalho compõe o projeto “Territórios da Memória” – Instituto Vladimir Herzog.