Passagem Funda: História e Memória de Guaianases, Lajeado e Cidade Tiradentes

A exposição busca apresentar os trabalhadores residentes nessas áreas do extremo leste da cidade de São Paulo como sujeitos de sua própria história, seja nas ações de construção social, política e urbana do território, como na elaboração de suas memórias referenciais. 
A partir dos processos de pesquisa e difusão do CPDOC Guaianás, realizados ao longo dos dois últimos anos do projeto “Passagem Funda”, apresentaremos os principais grupos sociais de trabalhadores ao longo da história e abordaremos seus respectivos patrimônios históricos, com o intuito de fortalecer na própria população, os vínculos com seus territórios e a constatação de que são parte de suas histórias e de que podem modificá-las de acordo com seus consensos sociais.


Passagem Funda trata-se do nome da rua que em meados do século passado ligava através de um ramal particular (linha de trem) a estação Lajeado (hoje Guaianases) à Fazenda Santa Etelvina (assim como era chamada a Cidade Tiradentes). Esse trajeto foi fundamental para escoamento de flores, frutos, hortaliças, madeira e, principalmente, da pedreira do Lajeado para abastecer a cidade de São Paulo. Passagem Funda também remete à travessia por grandes rochedos dessa história vivida e soterrada, suplantada nos escombros de uma urbanização desordenada, e que de tal modo busca-se narrar outros nichos de pertencimento com o bairro.


As narrativas do bairro do Lajeado-Guaianases mudam, assim como mudam sua centralidade no bairro, já pensou nisso? A primeira igreja, a missa que inaugura um bairro e seus mitos fundadores se deslocaram ao longo da história do bairro.

Uma plaquinha dentro da igreja Santa Quitéria apresenta uma fonte importante para as origens do bairro do Lajeado: a pedido de Manoel Joaquim Alves Bueno foi erguida uma capela com o nome de Santa Cruz, em 03 de maio de 1861, onde foi rezada a primeira missa que teria inaugurado o bairro do Lajeado. Ela se localizava próxima ao Ribeirão do Lajeado, local onde os tropeiros paravam para alimentar seus cavalos e descansar. Esse local já era uma passagem de tropeiros que levava ao Vale do Paraíba, a Estrada do Lajeado Velho, antiga “Estrada do Imperador” em 1804 (Castilho, 2007, p. 42).

Igreja Santa Quitéria (Santa Cruz do Lajeado), 1962 (Acervo cedido do Instituto Bixiga).

E por quê Estrada do Imperador?

Segundo relatos dos moradores, a Estrada foi passagem de D. Pedro II que fez paradas em várias casas neste percurso, tais como: na casa pertencente à família Bueno, próximo ao Ribeirão do Lajeado; na Chácara Dona Rosa, no Jardim Fanganiello; na Chácara das Flores, na Avenida Dom João Nery; e segue assim até o bairro Tanquinho em Ferraz de Vasconcelos.

Os “tropeiros” eram as pessoas que realizavam atividades de condução das tropas – grupos de animais: mulas, cavalos, entre outros – e que levavam mercadorias de um lugar para o outro, principalmente, nas regiões interioranas sem acesso ao mar. Os tropeiros percorriam por algumas trilhas indígenas, como as trilhas dos Guaianás, e chegavam por onde passavam a ajudar fundar bairros e cidades. Uma atividade exercida, principalmente, no período colonial, antes da chegada das linhas férreas. No bairro do Lageado, o local onde está o cemitério antigo do Lajeado, fundado em 1904, era uma hospedagem que abrigava os viajantes a caminho do Vale do Paraíba. A chegada do trem, em 1875, a partir da estação do Lajeado, no que era chamada de Estrada de Ferro D. Pedro II, posteriormente denominada Central do Brasil, gerou uma nova centralidade para o bairro e levou a sua divisão em Lajeado Velho e Lajeado Novo.

A construção de uma nova igreja Santa Cruz, em 1879, a instalação do comércio ao redor da estação, geram uma nova dinâmica urbana ao bairro. De modo que a primeira igreja “Santa Cruz do Lajeado” é rebatizada com o nome de Santa Quitéria, nome justificado pela lendária história que diz homenagear uma mulher negra, escravizada, que fugida dos arredores de São Miguel Paulista, dos padres carmelitas, teria sido sacrificada ao ser capturada (Azevedo, 1958).

Nova Igreja Santa Cruz, foto de 1930, acervo cedido do Instituto Bixiga.
Atual igreja Santa Cruz, acervo do CPDOC Guaianás.

O Lajeado novo nasceu a partir da estação de trem, enquanto o Lajeado Velho, ocupação mais antiga, próximo a Igreja Santa Quitéria, a ferrovia foi o fator de segregação desses dois territórios e gerou uma nova centralidade do bairro, construções históricas e outras formas de vida e trabalho.

Lageado, 1918 (Acervo cedido do Instituto Bixiga)
REFERÊNCIAS

AZEVEDO, Aroldo. A cidade de São Paulo: estudos de geografia urbana. v.3. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1958.

CASTILHO, Edimilsom Peres. A praça dos trabalhadores de Guaianases: periferia de São Paulo. São Paulo: Faculdade de História. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2007. Dissertação de mestrado em História.

SILVA, Sheila Alice Gomes. Negros em Guaianases: cultura e memória. São Paulo: Faculdade de História. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 20. Dissertação de mestrado em História, 2015.


Os bairros do Extremo Lestes da Cidade de São Paulo, como: Lajeado, Guaianases, Cidade Tiradentes e outros; são formados por morros e baixadas, cortados por inúmeros rios e córregos, relevo que privilegiou o desenvolvimento de olarias, as quais determinaram um modo de vida, trabalho e sociabilização dos antigos trabalhadores da região nas primeiras décadas do século XX. As olarias são fábricas destinadas a produzir objetos de barro queimado, técnica que era conhecida pelos povos indígenas, antes mesmo da chegada dos europeus nestas terras, bem como, pelas primeiras civilizações euro-asiáticas do período neolítico; o que a torna uma das técnicas mais antigas da humanidade.  

Voltando ao Extremo Leste de São Paulo, os moradores, ao relatarem suas memórias, fazem menção a outras olarias, como a pertencente à família Gianetti, que ficava onde hoje é o CEU Jambeiro; a da família Diório, onde atualmente é o Supermercado Extra; e outras. Havia, igualmente, empreendimentos pequenos nos quais o núcleo familiar era responsável por todo o processo produtivo. Nelas trabalhavam homens, mulheres (jovens e adultos), famílias que construíram suas casas por meio dos incentivos que as olarias forneciam para aquelas que utilizassem dos seus materiais. Para os mais velhos, era o lugar do trabalho, para as crianças, o lugar do brincar.

 Além de servirem como base na construção de várias residências do território, as olarias produziram, em larga escala, telhas e tijolos que eram destinados para a construção de prédios da região central de São Paulo durante o processo de metropolização da capital. A linha férrea, que cortava a região, facilitava o escoamento dos produtos. Com o avançar das décadas, os tijolos de barro foram sendo substituídos pelos blocos de concreto padronizados, fazendo com que se perdesse o caráter artesanal do processo produtivo. As olarias foram desaparecendo da paisagem urbanística do Extremo Leste da cidade, restando apenas pequenos depósitos que fabricam blocos de concreto para consumo local.

OLARIA PARQUE CHÁCARA DAS FLORES
A Olaria que se encontra onde é hoje o Parque das Chácara das Flores, na Estrada Dom João Neri, 3551 – Jd. Nazaré, inaugurada por volta de 1915, fabricou os blocos usados na construção de prédios importantes da cidade de São Paulo, como o da Indústrias Matarazzo e Moinho Santo Antônio. Entretanto, a Olaria, que ainda mantém sua arquitetura original, não recebe atenção do poder público, não figurando com um bem tombado, apesar de ter sua importância histórica reconhecida pelos moradores do bairro do Itaim Paulista. 

As formas de trabalho já foram diferentes nos territórios onde estão localizados os distritos de Cidade Tiradentes e Guaianases. Se hoje a produção agrícola localiza-se apenas em alguns espaços que resistem ao concreto armado, entre ruas, casas autoconstruídas e conjuntos habitacionais, entretanto, no período que vai do final do século XIX e atravessa o século XX, predominava na região a produção rural e a extração de recursos naturais como areia, brita (ou pedra) e madeira que, por meio das ferrovias, chegavam à cidade de São Paulo para alimentar seu primeiro grande processo de urbanização. Em se tratando de fazendas, destaca-se a Santa Etelvina que, entre 1895 e 1905, era dedicada, principalmente, à extração de madeira. Há memórias e documentações levantadas por pesquisadores-moradores, como o historiador Márcio Reis, que tratam de do cultivo de mandioca e de café, bem como para a produção de farinha. Boa parte da produção de madeira saía por um ramal de bondes que interligava a Fazenda Santa Etelvina à Estação Férrea de Guaianases, de onde era transportada para a cidade.Os bondes, igualmente,  transportavam pessoas, conforme observamos na imagem a seguir .


Em se tratando do trabalho, as narrativas de memórias mais recorrentes dos moradores do território dizem que eram imigrantes italianos, espanhóis e portugueses que realizavam o trabalho na Fazenda Santa Etelvina, entretanto, há indícios da presença negra em seu entorno como a Igreja de Santa Cruz das Almas, construída em meados da década de dez do século XX e localizada entre a Passagem Funda e a Fazenda Santa Etelvina. O nome Cruz das Almas, costumeiramente, era utilizado para rememorar o suplício de escravizados em locais de castigos físicos, onde, provavelmente, muitos deles eram também enterrados.

 Outro indício da presença dos povos escravizados é que, segundo Ana Rita (líder comunitária e idealizadora do Movimento Cultural de Cidade Tiradentes -MOCUTI), na própria casa da fazenda, onde hoje é Teminal terminal Cidade Tiradentes, havia um pelourinho.Atualmente, a parte da sede da Fazenda Santa Etelvina que continua de pé, transformou-se na Casa de Cultura do Hip Hop, sendo fruto das lutas travadas, nos anos de 1980, pelos movimentos comunitários da Cidade Tiradentes.


A Estação de Lageado, atual Estação de Guaianases, foi inaugurada, em 1875, pela companhia Estrada de Ferro do Norte, com objetivo de ligar São Paulo e Rio de Janeiro, a então capital do Brasil e assim, escoar o café, o principal produto da economia brasileira daquele período.  Em 1889, com a proclamação da República e a falência da companhia, o governo brasileiro incorporou a Estrada de Ferro do Norte à Central do Brasil com o propósito de unificar as linhas de trem do país. 

A estação contava com linhas de bonde que a ligavam a outras partes do território. Um destes ramais era o bondinho da Fazenda Santa Etelvina, hoje Cidade Tiradentes, que funcionou de 1896 até meados da década de 1940, ligando a estação à fazenda do Antônio Prost Rodovalho, um político influente que foi presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo e presidente da Associação Comercial de São Paulo. Outro ramal era o da Pedreira Lageado que, de 1895 a 1967, levou matéria prima para a construção de monumentos e calçamentos da cidade de São Paulo.

A estação do Lageado foi rebatizada mais duas vezes, sendo: em 1924, quando recebeu o nome de Carvalho Araújo, em homenagem ao diretor da Central do Brasil; e em 1945, quando finalmente se tornou a Estação de Guaianases.  No final da década de 1990 e início dos anos 2000, com a promessa da extensão do metrô, foi construída uma nova estação em Guaianases que, mesmo sem a vinda do metrô, é inaugurada em 28 de maio de 2000. Ao longo de sua história, a atual Estação de Guaianases, que sua inauguração coincidiu com o fim da escravidão, atraiu imigrantes para região e favoreceu o aumento populacional e o desenvolvimento da economia local, sobretudo, o comércio que foi se desenvolvimento ao longo da linha férrea. Igualmente, tornou-se um importante


 O comércio local a partir das estradas, linhas de trens e desenvolvimento do bairro

A construção da  nova estação Estação de Guaianases, nos anos 2000, modificou a dinâmica desses espaços, houve uma diminuição considerável do  fluxo de pessoas na passarela e ainda, a construção do shopping popular e aumento da fiscalização fez com que também diminuísse a quantidade de camelôs.  Todavia,  o shopping popular  que foi construído com objetivo de regularizar a situação dos camelôs e reduzir os atritos existentes entre esses e os comerciantes locais, fechou suas porta.

Feira do Rolo

O lugar do escambo, da venda, da compra, do convencimento, essas eram práticas que fazia parte da cultura da feira que ficou conhecida popularmente, na década de 1990, como “Feira do Rolo” e que acontecia, todos os domingos, dia de folga da maioria dos trabalhadores, na rua Hipólito Camargo, próximo ao Bazar Xodó, no bairro de Guaianases. As mercadorias eram diversas, sendo: ferramentas roupas usadas, bicicletas, revistas, relógios entre tantas outras. Aquele que comprava nem sempre sabia a procedência e qualidade do produto. Quando a fiscalização – o rappa – chegava se iniciava  um corre-corre na tentativa de proteger as mercadorias, que por vezes eram apreendidas. Nos anos de 1990 a feira do rolo e, por volta dos anos 2000, devido a intensificação da fiscalização e do trânsito desviado por conta da nova estação de trem, a feira passou a ser na rua Capitão Pucci, em frente da Igreja Universal.


A Pedreira São Matheus-Lageado ou Guaianases dos Matheus, a qual consta em alguns registros que foi fundada em 1957, foi grande produtora de brita e granito da cidade São Paulo, insumos utilizados para a construção das estradas de ferro do país, sobretudo, da linha férrea Central do Brasil. Havia um ramal que ligava a pedreira à estação de Guaianases, uma espécie de entreposto que levava a produção de pedra britada para várias regiões de São Paulo. A pedreira era de propriedade da família Matheus e por isso recebeu o nome de Vicente Matheus (ex-presidente do Corinthians), da mesma forma, a avenida qual está localizada foi nomeada Avenida Luís Matheus, nome do pai de Vicente. Em 2003, a Prefeitura de São Paulo transformou a cava desativada da pedreira em um reservatório de controle de cheias (piscinão), utilizado para conter as enchentes do território. Estima-se que a capacidade do piscinão seja de 1,8 milhão de metros cúbicos de água. A parte ativa da pedreira, por sua vez, segue fornecendo insumos necessários para a construção de prédios, calçadas e outras obras que fazem parte da estrutura da cidade. Em Maio de 2018, geólogos do Serviço Geológico do Brasil, ligados à Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), uma instituição do Governo Federal, estiveram na pedreira e no piscinão para estudar as rochas de Guaianases numa perspectiva econômica, ambiental, da geodiversidade e do patrimônio.

Referências:

https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-01062015-180120/publico/2015_EnricoSpaggiari_VCorr.pdf
http://www.singep.org.br/7singep/resultado/365.pdf


A  ManiKraft conhecida pela população do entorno como Fábrica de Papel Primavera, foi inaugurada em meados do século XX e se tornou uma das maiores produtoras de papel do país, tendo em vista  que foi pioneira na fabricação do papel higiênico produto que a partir da década de 1960  foi incorporado na cultura dos brasileiros.  A Fábrica era vizinha da Estação XV de Novembro e de um campo de futebol de várzea, recentemente extinto. 

Por mais  de trinta anos, entre 1970 e 2000, a fábrica despertou o interesse de muitos trabalhadores do território que, devido ao alto índice de desemprego causado acentuado pela  políticas neoliberais dos anos 90, buscavam estabilidade e  qualidade de vida, considerando  que  seria trabalho mais próximo de casa. Entretanto, nesse mesmo período, a exemplo a de inúmeras indústrias, que fecharam ou foram embora da cidade, a Papel Primavera passou por um processo de desindustrialização o qual terceirizou os seus departamentos, gerando desemprego e precarização do trabalhador.
A Fábrica de Papel Primavera fez parte do contexto de industrialização nacional, de ampliação de linha férrea e de periferização dos bairros, se tornando lugar de memória e história da daqueles que, trabalhando, alimentavam o sonho de dias melhores, bem como dos moradores do entorno, pois apito da fábrica que soava todos os dias  no mesmo horários, não só determinava o início ou o fim do labor, mas era também o despertador daqueles que acordavam cedo para ir a escola ou para trabalhar. 

Fonte: página do Facebook Guaianases City Fatos e Fotos

Os processos de moradia no extremo leste da cidade de São Paulo mostram momentos transitórios, tanto no âmbito dos usos do território quanto nas práticas sociais. Na perspectiva social, a região teve as primeiras ocupações motivadas pela cultura do trabalho, os trabalhadores foram se acomodando ao longo da linha férrea que cortava o território e interligava São Paulo ao Rio de Janeiro. Logo, ao longo do século XX, os primeiros indícios de urbanização na região vão aparecendo pelas ocupações de loteamentos e autoconstruções dos trabalhadores.  

Posteriormente, em 1970, a reorganização urbana se dá  pela intervenção do Estado, motivada por um plano urbanístico de periferização  que tinha por objetivo de atender aos anseios da indústria e comércio em detrimento a classe trabalhadora. A COHAB-SP, criada  em meados dos anos 1960, foi o órgão pelo qual o Estado colocou o projeto em prática. A relação com a estruturação da indústria na cidade, que decorreu num processo de verticalização comercial no centro da capital, resultando em uma migração em massa de pessoas que ali residiam para zonas periféricas.

Nesse sentido, houve o investimento no sistema viário – que ligava a periferia ao centro, no eixo leste-oeste – criado para que os trabalhadores pudessem se deslocar dos bairros onde viviam para outros onde trabalhavam, e assim, convertendo as ocupações periféricas em cidades dormitórios. Portanto, em 1960 se dá o início da construção da Radial Leste e, em 1970, a implantação da linha leste do metrô. Cinco anos mais tarde, em 1975, a COHAB-SP constrói o primeiro conjunto habitacional na região da Cidade Tiradentes, a Cohab Prefeito Prestes Maia, finalizada em 1980.  Posteriormente, foi inaugurado mais dois conjuntos habitacionais no mesmo território, sendo: Cohab Juscelino Kubtschek  (concluída em 1986) e a Cohab Inácio Monteiro  (inaugurada em 1998).  

Dentro deste contexto, a Cidade Tiradentes – que se originou na região da antiga Fazenda Santa Etelvina (que esteve em atividade até fins de 1970) – passou por um processo de transferência de terras, as quais se tornaram posses ou propriedades. Parte da área foi repassada à COHAB-SP e trouxe um novo panorama habitacional ao território, a transição dos padrões de moradia que compreenderam também a desocupação das chácaras. 

Entre 1980 e 1996, houve um expressivo acréscimo populacional na região da Cidade Tiradentes que culminou na intensificação de ocupações de modo desordenadas  que tinham como características, a precarização das condições de moradia e de bem-estar social. Esse era um cenário igualmente comum aos demais distritos do extremo leste (Lajeado, Guaianases, Iguatemi e outros.). 

Nesse sentido, o desenvolvimento urbano do extremo leste da cidade de São Paulo é marcado por atuações políticas de ordem territoriais, a periferização, que acentuaram ainda mais os abismos sociais.

Referências

– Reestruturação urbana da metrópole paulistana: a Zona Leste como território de rupturas e permanências Cadernos Metrópole n. 6, pp. 43-66, 2º sem. 2001. Raquel Rolnik, Heitor Frúgoli Jr.

– Cidade Tiradentes: Território e Urbanização Crítica Em Um Complexo Habitacional da Metrópole de São Paulo, Brasil. Universidade de São Paulo (USP), Brasil 2009. Marcio Rufino Silva. 

– Cidade Tiradentes e cohab: moradia popular na periferia da cidade de São Paulo – projetos e trajetórias, São Paulo, 2009. Simone Lucena Cordeiro.

– A contribuição da Habitação popular no processo de acumulação capitalista no brasil: o caso do Complexo Habitacional Cidade Tiradentes (1975- 1998). PUC-SP. Doutorado em Historia Social, São Paulo 2015. Edmilson Peres Castilho.


VEJA TAMBÉM NOSSA EXPOSIÇÃO ARTÍSTICA-URBANA
NOS MUROS DA CPTM DE GUAIANASES

Rua Copenhague, próximo ao Mercado Municipal de Guaianases (Mercadão).

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