Campanha de Entrevistas realizadas com moradores nos bairros de Guaianases, Lajeado e Cidade Tiradentes

O CPDOC Guaianás iniciou o ano de 2020 com a Campanha: HISTÓRIAS DO MEU BAIRRO, no qual convidou a todas e todos os moradores de Lajeado, Guaianases e Cidade Tiradentes para compartilhar suas histórias marcantes com o bairro.

Confira abaixo as entrevistas que realizamos!


Histórias do Meu Bairro


Ednalva Lucia Silvério (Guaianases)
Entrevista 1

No dia 02 de março de 2020, o CPDOC Guaianás esteve em frente subprefeitura de Guaianases, onde entrevistou Ednalva Lucia Silvério, 59 anos de idade, moradora do bairro.

Michele Feitosa (Lajeado)
Entrevista 2

Mais um vídeo da nossa campanha, desta vez no bairro do Lajeado – SP entrevistando Michele Feitosa de 38 anos. Em sua fala destaca memórias da sua infância e as mudanças que ocorreram ao longo do tempo.

Laudenis Alexandre Bezolino (Cidade Tiradentes)
Entrevista 3

Moradora da Cidade Tiradentes, Laudenis Alexandre de 33 anos, nos conta um pouco sobre suas memórias no território, fala sobre sua chegada e o carinho que tem pelo local, pelo verde marcante da Cidade Tiradentes, destaca algumas historias da região como a ida de moradores ao rio da Sete Cruz, e locais como o parque da Consciência Negra.

José dos Santos (Guaianases)
Entrevista 4

José dos Santos, mais conhecido como Coquinho, nasceu no bairro de Guaianases, destaca as mudanças que ocorreram ao longo do tempo, no comercio, na relação com bairros vizinhos, dos bailes, salões e escolas de samba, da sua juventude e as dificuldades enquanto jovem periférico.

Maria de Carvalho Silva (Lajeado)
Entrevista 5

Maria de Carvalho Silva, 68 anos, moradora do bairro 1º de Outubro, lembra do processo de ocupação do bairro em meados da década de 1980, da violência que se seguiu pela disputa de terreno e das condições precárias de infraestrutura para a moradia. Salienta a solidariedade que tivera com ajuda de água, diante da condição precária, e da felicidade de seu filho ter nascido neste bairro. Ela destacou a condição dela enquanto mulher prisioneira do marido em casa, retrato presente na vida de muitas mulheres que sofrem com machismo, patriarcado e feminicídio. Por fim, ela indica os locais de referência e memória que devem ser preservados no bairro, sendo o Parque Chácara das Flores – único equipamento de lazer local – está abandonado pelo Estado e foi associado a um espaço de roubos, estupros e tomado por grupos ligado ao tráfico que afastam a população local.

Francisco dos Santos (Cidade Tiradentes)
Entrevista 6

Na nossa 6º entrevista conhecemos a história do senhor Francisco dos Santos, de 80 anos, morador há 35 anos na Cidade Tiradentes. Ele narra as dificuldades de transporte público no início da formação do bairro, na década de 1980. Para chegar ao seu local de trabalho, na região do Morumbi, tinha que pegar 4 conduções, saindo às 3:30 da manhã. Também destaca que neste período as pessoas trabalhavam 48 horas semanais. Seu Francisco enfatiza a falta de outros serviços públicos como delegacias e hospitais, além de mercadinhos e padarias. Os moradores precisavam se locomover de lotação para outros bairros para fazer suas compras ou esperavam todos os dias às sete da manhã, a perua do leite. Neste relato podemos ver como eram difíceis e péssimas, as condições de trabalho e acesso ao transporte do bairro. Hoje nas suas palavras, o “bairro evoluiu” muito nestes serviços. Para o Senhor Francisco, a pedra de fundação da Cidade Tiradentes é o seu ponto de lembrança e o patrimônio do bairro.

Valéria Evaristo Rodrigues (Guaianases)
Entrevista 7

Na nossa 7° entrevista, conversamos com Valéria Evaristo Rodrigues, 38 anos. Muitos de vocês podem não conhecê-la fisicamente, mas o som do produto que vende, há 10 anos na frente da estação de trem de Guaianases, não passa despercebido. Moradora do bairro, marreteira, narra suas histórias e memórias de infância e a relação com a população local a partir da forma de anunciar os seus produtos que a tornou um símbolo de Guaianases.

Giovani Martinazzi (Lajeado)
Entrevista 8

Morador do município de Ferraz de Vasconcelos, vizinho ao bairro do Lajeado, Giovani Martinazzi, 62 anos de idade, narra as suas lembranças dos últimos 50 anos em que viveu na região pontuando as transformações do território. Em suas memórias do bairro, ele lembra que quando tinha sete anos de idade, frequentava um armazém onde atualmente está localizado o Supermercado Rossi. Destaca o tráfego de carroças e charretes nas ruas sem asfalto e os rios não poluídos. Para ele são imagens que remontam a uma cidade de interior. Ressalta que o bairro passou por muitas mudanças, como o crescimento populacional, graças à chegada da Fábrica de Brinquedo Bandeirantes influenciando uma forte imigração para o bairro.

Zilda Maria de Oliveira (Cidade Tiradentes)
Entrevista 9

Dona Zilda Maria de Oliveira Mota, de 69 anos, é moradora da Cidade Tiradentes há 34 anos. Narra que quando chegou no bairro faltavam serviços básicos como mercado, açougue, padaria, escola, e que para fazer compras se locomoviam para os bairros de Guaianases e Iguatemi. Também relata sobre a falta de transporte público e que a longa distância até o trabalho, na região do Aeroporto de Congonhas, fez com que o seu marido adoecesse e a consequente perda dele foi algo marcante na sua vida. Diz que o bairro evoluiu muito, mas os serviços como o de saúde são péssimos, principalmente, os atendimentos. Por fim, para dona Zilda, o galpão onde atua o Grupo Pombas Urbanas, antigo supermercado Tatá, é um polo de diversão, arte e referência de memória no território.

Marcelo Morgolfin (Guaianases)
Entrevista 10

Marcelo Morgolfin tem 47 anos, é artista de rua, desenhista e artesão, morador do bairro de Guaianases, onde trabalha, Marcelo traz em sua fala as dificuldades enquanto artista de rua no bairro, comenta sobre o desistência e migração de outros artistas devida a falta de apoio da população e as dificuldades em poder trabalhar no local, que até chegou a correr da prefeitura por ser confundido com camelô, comenta sobre a falta de mais artistas nas ruas e que seu trabalho é pouco valorizado pela grande polução, mas que há exceções com admiradores. Fala sobre a importância em se olhar para os artistas de nossa região, e cobra do poder publico espaços para concentração e produção para artistas locais.

Rosana Aparecida Leal (Cidade Tiradentes)
Entrevista 11

Rosana Aparecida Leal, 55 anos, moradora de Cidade Tiradentes, conta como chegou ao bairro em 1985, formando sua família e enfrentando as diversas limitações do bairro relacionadas, principalmente, ao serviço de transportes precário e à insuficiência de comércios que pudessem atender mesmo as demandas alimentares mais básicas da população como o pãozinho para o café da manhã. Ressalta as dificuldades que teve para manter o tratamento da irmã, portadora de deficiência física, na AACD, localizada do outro lado da cidade. Também aborda a falta de espaços de lazer no bairro, citando como exceção, o Parque da Consciência Negra e a presença de escolas de samba como Estrela Cadente e Príncipe Negro. Trata, também, de sua religião espírita, que pratica em Itaquera e cita o afoxé do Pai Jair como bloco de carnaval local. Relembra do antigo mercado Tatá e dos sorteios de carros que lá aconteciam todo ano mediante acumulação de cupons. Aponta que o Pombas Urbanas ocupou o espaço desse mercado, também se tornando alternativa de atividade cultural para o bairro. Por fim, também nessa área, ressalta a importância da Casa de Cultura do Hip Hop, localizada “onde antes era uma fazenda, próxima ao terminal”.

Antônio Carlos Silva (Lajeado)
Entrevista 12

Antônio Carlos Silva, 62 anos, morador da Vila Primeira de Outubro no Lajeado desde 1982, mas vive na região desde 1962. Ele traz recordações a partir de suas próprias vivências ao narrar os processos de ocupação do bairro, da chamada Malvina, as dificuldades oriundas da época, principalmente, com a criminalidade. Aborda a sua relação com o trabalho nas olarias e da presença das mesmas no bairro. Lembra dos carnavais em Guaianases e sugere a preservação do Parque Chácara das Flores.

Amaro Machado (Cidade Tiradentes)
Entrevista 13

Amaro Machado Gomes tem 64 anos, é morador da Cidade Tiradentes desde 1982, vindo de Guaianases, ele traz recordações a partir de suas próprias vivências ao narrar os processos de transformações do bairro, das dificuldades do transporte no inicio da construção do Conjunto Habitacional. Entre outras memórias fala sobre relações com o bairro e a natureza presente, lembra do seu time de futebol nos anos 90, dos carnavais da escola Príncipe Negro e seus desfiles na Avenida Metalúrgicos.

Edilson Felix (Lajeado)
Entrevista 14

Chegamos ao fim de um ciclo, outros tão breve serão iniciados, mas fechamos aqui nossa campanha “Histórias do Meu Bairro” com o apoio da Lei de Fomento à Periferia. Sabemos que é apenas o primeiro passo dado para mostrar a história narrada por aqueles que diversas vezes são silenciados e renegados na história – as e os trabalhadores – dessa nossa periferia. E ninguém melhor do que Edilson Felix, de 53 anos, para fechar esse ciclo. Nascido na Bahia, chega menino em Guaianases e vê o bairro crescer e se desenvolver. Destaca a identidade do bairro que tem o seu nome em homenagem aos povos indígenas Guaianás e pelo qual expressa grande sentimento de orgulho e pertencimento. Ele narra as dificuldades que passou em sua vida, quando aos 12 para 13 anos, tinha que largar a escola para ir trabalhar e ajudar os pais. Mas ressalta que hoje os adolescentes podem estudar e tem a escola pública e gratuita, resultado da universalização do ensino, inclusive suas filhas nunca precisaram ir para uma escola particular e uma delas faz medicina na universidade. Nesse processo remete alguns espaços de trabalho como a Rua Masato Sakai e também a Fábrica de Brinquedo Bandeirantes, ambas em Ferraz divisa com o Lajeado. Ele que trabalhou durante muito tempo como cobrador de lotação, chegou a trabalhar na CMTC e hoje é gari. Ressalta o intenso trabalho de limpar a Cidade e a tristeza em ver o lixo na porta do cemitério do Lajeado, o qual considera um patrimônio do bairro. Lembra aspectos do comércio no passado como o açougue do Sr. Domingo, o Mercado do Sr. Agostinho (onde hoje é o mercado Rossi) e o único supermercado próximo na época era o Guayó (ao lado da estação antiga de Guaianases). Identifica como era difícil aquele momento: “Guaianases não era nada só tinha mato e terra, antes se precisava de alguma coisa, tinha que ir para o centro de Guaianases, hoje tem tudo: banco, loja…” Entre os lugares de sociabilidade e importância para o bairro cita o Portela (antigo bar de frente com o Habib’s no Lajeado), a igreja Santa Quitéria como a mais antiga do bairro, o Parque Chácara das Flores e o cemitério como patrimônios. A história feita por pessoas como Edilson e tantas que passaram pela Campanha Histórias do Meu Bairro, traz a tona histórias cotidianas daqueles que constroem com o suor de seu trabalho os alicerces vividos e que fomentam os patrimônios e memórias do lugar.